Muito estranho quando as coisas chegam a um ponto em que se perde o controle sobre elas. Ruim essa sensação de rédea frouxa.
Mas não se pode querer abraçar o mundo sem ter ao menos uma cãibra, não é mesmo?
Não tô falando de compromisso. To falando de outra coisa.
Os mais célebres pensadores já tentaram explicar do que se trata e não conseguiram, não terei a pretensão sequer de tentar. Mas posso falar do que sinto. E eu tô sentindo um negócio muito esquisito.
Do alto dos meus trinta e cinco anos não tinha passado por isso ainda. É uma mistureba de sensações difícil de compreender, pior ainda de traduzir e expor. Mas vou tentar.
Isso nem deve ser coisa exclusiva do ser humano, haja vista os irracionais que, em sua maioria, também desenvolvem o sentido de posse - quer pelos parceiros, filhotes ou território. Assim é também comigo: eu só quero o que não posso ter. Uma sensação horrorosa de posse. De não largar o osso. Ainda mais se for numa disputa, aí dou uma boiada pra não sair dela.
Pior é que quando finalmente tenho, perde a graça, o encanto. Vira só mais um troféu na estante - ou uma página como essa.
Vivo hoje um momento de indecisão. Pra onde que quer que eu vire, existe sempre uma bifurcação. De um lado, alguém por quem eu faria tudo, mas para quem tudo nunca será o bastante. Do outro, alguém que faria tudo por mim, mas eu ando mais interessada em fazer pelo próximo. Vai entender...
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